Todo mundo canta realmente?
RENAN: Sim. O que não significa que todos possam se tornar cantores profissionais.
Mas tem gente que diz que não canta nem no chuveiro! Como é esse processo de descoberta da capacidade de cantar?
RENAN:Tem gente que não canta porque acha a voz feia. Diz que é “taquara rachada”! Estes são rótulos, impressões e tensões criados pelo meio em que o individuo vive ou por uma avaliação própria, extremamente critica, onde ele se compara com modelos de vozes e cantores já conhecidos.
O TODO MUNDO FAZ CANTO promove um processo aonde o aluno vai se desinibir e esquecer os preconceitos, brincando até com a voz desafinada para a descoberta de novas formas de expressão vocal.
No curso, não classifico vozes, pois acho que limita o aluno e coloca num lugar sempre menos interessante do que aquele que ele pode descobrir.
De onde surgiu a idéia do curso TODO MUNDO FAZ CANTO?
RENAN: O canto já existia no curso Avançado (junto ao teatro). Porém, vários alunos começaram a solicitar um curso que tratasse o canto mais especificamente. Isto então, junto a um desejo antigo, fez acontecer o TODO MUNDO NO CANTO, que era o nome inicial.
Mas o que lhe motivou a fazer um curso neste modelo? Por que fazer todo mundo cantar?
RENAN: Foi a partir da minha experiência como cantor de trio elétrico, onde, por dia, comando 500 mil pessoas, ao vivo e colocando-as para, através da alegria, soltar a voz. O curso não é um bloco de carnaval, mas é um exercício bem parecido: juntos, através da musica, os alunos soltam a voz e o corpo, conduzidos pelo professor, pela filosofia do curso, onde todo mundo pode se expressar e tem capacidade de ir ao palco.
Mesmo as pessoas que se consideram muito desafinadas podem fazer o curso?
RENAN: Por que não? O curso trabalha a musicalidade do individuo, e todos nós temos essa música dentro de nós. O fato de ser desafinado não é empecilho para experimentar e quem sabe, esquecer esse rótulo que limita tanto a criatividade!
Mas existe possibilidade de se tornar afinado?
RENAN: Afinação é algo muito relativo. Muitas vezes a força da expressão e o prazer, se colocam a frente da afinação matemática, exata. Trabalho mais a qualidade, que pode incluir a afinação formal ou não. Ao brincar com a distorção e o humor, o aluno, sem o compromisso de acertar, pode se tornar afinado dentro de um novo contexto.
O que é trabalhado nas aulas do curso TODO MUNDO FAZ CANTO?
RENAN: Damos um passeio pelo universo musical. Visitamos o ritmo, a melodia, a interpretação e a improvisação. A voz e corpo são abordados de forma integrada, como o instrumento da expressão. Através de jogos, brincadeiras e exercícios dinâmicos, o aluno vai encontrando a alegria e o prazer de cantar. Tudo isso apoiado em algumas técnicas teatrais, já que o palco é o espaço para trabalhar essa musicalidade.
Uma vez uma aluna, já idosa, definiu as minhas aulas como aulas de riso. Um lugar onde ela reaprendeu a sorrir, independente de saber cantar ou não.
Alguém que já é acostumado a cantar pode fazer o curso?
RENAN: Sim. O exercício e a experimentação do cantor e do ator não devem parar nunca. Exercícios vocais feitos por principiantes, são os mesmos feitos por cantores profissionais. É como um atleta, que necessita de treinamento constante para estar em forma. Só que aqui, estar em forma significa trabalhar a criatividade musical e vocal.
Existe algo realmente novo no curso para quem já canta?
RENAN: Por não trabalhar apenas a voz com a técnica tradicional, o curso inova justamente porque todos os jogos e exercícios trabalham a prática, leva o contato com a música desde cedo. Isso através dessa forma dinâmica, faz com que, mesmo os exercícios já conhecidos pareçam inéditos.
Fale da mostra no final do curso.
RENAN: O tema surge a partir do caminho que o grupo aponta nas improvisações. Á partir do tema escolhido, vou montando um roteiro de show, onde as cenas vão colorir essas canções. Sugestões são aceitas e algumas improvisações também entram para a mostra.
Sempre uma música é composta especialmente para a mostra. Gosto muito da alegria que a música proporciona. Eu acho que musica tem que emocionar. Também componho canções que exploram bem esse lado das lágrimas, acho bonito chorar ouvindo e cantando canções. Componho no transito, no chuveiro, no estúdio, ouvindo uma batida de bateria ou á partir de uma frase dita por um aluno. Uma vez ouvi alguém falar que o “povão” não sabia amar, que era mais “carne”. Então compus “O almanaque do amor”, que fala das várias formas de amor. Do amor brasileiro, da Gabriela, do Vadinho. E que não existe amor mais ou menos valioso. É bacana, discordar e até mudar a idéia de alguém, sem precisar contrariar, falar. Isso é possível através da musica.
Como os alunos se sentem cantando no palco?
RENAN: Sentem-se felizes porque não os dirijo para um lugar que eles não possam ir. Sempre encorajo para ir mais além. Mais, sempre mais. Até onde eles se sintam bem. Esse é o lugar. O lugar do prazer, sem sofrimentos, mas com trabalho, sempre trabalhando!
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